segunda-feira, agosto 04, 2008

Na hora da morte de Soljenitsine

Um dos escritores que sempre frequentei com agrado. Muito mais que o simples denunciador das prisões e dos campos de trabalho forçado da antiga União Soviética. Iniciei-me com os dois volumes do «Arquipélago Gulag», prossegui com «Um dia na vida de Ivan Denisovich», continuei com outras obras, de «O pavilhão dos cancerosos» a «O erro do Ocidente».
Preso, julgado por traição e finalmente condenado ao exílio na libérrima URSS, instala-se nos Estados Unidos. Maldiz o sistema ocidental, o capitalismo, as aparências de liberdade. Chega a afirmar que os dois sistemas que conheceu são erróneos. Diminuído em Portugal pela cultura dominante, achincalhado pela máquina do PCP, Soljenitsine pagou o alto preço da independência e da nobreza de carácter. Foi, acima de tudo, um escritor de inspiração religiosa, com páginas místicas, que a crítica independente colocará no lugar próprio, na linha dos grandes perseguidos russos, que remonta pelo menos a Pushkin e Dostoievski.

2 Comentários:

Anonymous Carlos Portugal said...

Um grande escritor, um grande pensador e, acima de tudo, alguém com uma mente que não se vergava aos ditames de uma uniformização imbecil, de um «pensamento único» tanto do Leste como do Ocidente (afinal, os titereiros eram, e são, os mesmos).

A minha modesta e sentida homenagem a Alexandre Soljenitsine. Que Deus o guarde na Sua Glória.

9:33 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Pois. Mas se não tivesse sido preso político na URSS não tinha ganho o Nobel, certo?

8:42 da tarde  

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